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Inteligência Artificial

20/04/2018

foto de capa do evento do face sobre inteligência artificial

Em termos gerais a expressão inteligência artificial (IA) refere-se à capacidade de máquinas pensarem de modo semelhante ao ser humano. A definição não é consensual e passa, inevitavelmente, pela relativa definição de inteligência. A capacidade de raciocinar, tomar decisões e resolver problemas é o suficiente para caracterizar algo como inteligente? Por quê uma calculadora que estima um logaritmo com 9 casas decimais em frações de segundo não pode ser considerada inteligente, enquanto um bebê de 3 meses que não sabe contar até 10 é? Um critério que pode ser utilizado para tal classificação é a capacidade de aprender e se adaptar a novas situações, deste modo uma criança é inteligente não por seus conhecimentos e habilidades, mas pelo seu potencial de adquiri-los.

Todavia, admitir tal conceito nos fará cair no inverso da definição anterior: se antes quase tudo poderia ser considerado como inteligência agora praticamente nada pode. Sobre a questão das inteligências artificias: é possível a um ser humano criar uma inteligência artificial? Por que ele faria isso? Esse processo de criação deveria ter algum limite ou poderia ser criada uma máquina com inteligência igual ou superior à nossa?

A ciência nos mostra a cada dia uma atualização do que consideramos possível e com a inteligência artificial isso é não diferente. Célebres membros do campo acadêmico, como o falecido físico Stephen Hawking, disseram temer que daqui há alguns anos a inteligência artificial evoluirá mais rápido que a humana (na última década já houve máquinas passando pelo Teste de Turing – teste criado pelo matemático britânico que avalia se uma máquina tem comportamento inteligente semelhante ao humano quando não é possível distinguir por uma conversa se o interlocutor é um humano ou um robô). A fronteira da inteligência artificial cada vez mais se expande e nos faz acreditar que, em breve, teremos máquinas de intelecto muito próximo, ou mesmo maior, que a do homem.

Alguns exemplos atuais envolvendo máquinas com inteligência artificial:

  • Diagnósticos médicos, com máquinas que conversam com os pacientes para chegar a uma lista de possíveis doenças, com base nos sintomas e microscópios que conseguem aprender e identificar tumores.
  • Aconselhamento jurídico, podendo auxiliar grupos que teriam dificuldade para conversar com advogados, como já ocorre com refugiados.
  • IoT (Internet das Coisas), integrando vários sistemas domésticos e empresariais, de modo a otimizar a experiência do usuário
  • Percepção de preferências, o Google, Facebook e outras redes sociais “aprendem” seus gostos e fazem com que os assuntos que você tenha preferência apareçam mais vezes nas suas pesquisas e linha do tempo.

Apesar de suas vantagens, há também vários riscos envolvidos, principalmente por termos o risco de não conseguirmos controlar as ações e objetivos de uma máquina que atinja a autoconsciência, o que seria um caso da chamada IA forte, causando inúmeros problemas no campo ético, visto que a fronteira de racionalidade usada como diferencial de um ser humano seria diluída.

Outro problema que pode ocorrer é a respeito da capacidade de aprendizagem, sendo um caso recente a descontinuação pela Microsoft de seus projetos: a “adolescente” Tay. Ela foi projetada como um robô que usava as redes sociais e aprendia com base nas interações que fazia com os demais usuários, de modo a aumentar seu repertório a cada conversa e se tornar cada vez mais “humana”. O problema foi quando ela começou a produzir tweets de caráter nazistas, racistas e homofóbicos, baseada nas opiniões que aprendeu em menos de 24 horas de contato com os usuários da rede. A capacidade de aprendizado dos robôs pode ser, ao mesmo tempo, a melhor de suas vantagens e a mais temível das ameaças. Se uma adolescente que usava o Twitter conseguiu se tornar intolerante em menos de um dia e causar tudo isso, o que aconteceria se existissem robôs inteligentes armados usados para fins militares?

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